domingo, 1 de novembro de 2015

Como jamais





Eu sou uma parte dessa anarquia
Despótica, bipartidária
Apóstola do inconformismo tígrico
Católica de consumismo incomum,
Sou um pedaço desse corpo neocósmico
Ultraorgânico
Desmembrado celúlico bubos,
Além de anatomia
Sou cria parida da hibridez tesúdica
gênese cibermadrigal
Mas é preciso o muro
a juventude ainda me chama
ao medo, e ao jeans surrado
ao jazz  crucificado
ao jus de não me olhar
e não me proibir.
Eu sou um desse todo e vasto
nada mar
janela indiscreta no parapeito
do peito a boca
até fartar no olhar
De Pound, um vivaldino
dançando tango num Leblon
desfibrilando Ravels e Guaranís,
sou fruto decaído. Dessa cepa morta
entre cerca torta
na cola de saber criar a solidão.
Sou um pedaço desse chão
suado e acre hálito de abril's
sou terra
e como terra
"porque és la tierra e tendrás solamiente tierra"
e ao me partir
nada mais que pó
até o vento consumir e o pó sumir
como jamais.


A.N.I.


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