domingo, 18 de dezembro de 2016
Comunhão
Fotografia de Pat J
Quando meus pés fazem voos
pelas noites nas ruas
eu vejo as janelas, portas, casas
sentindo a fria luz do céu,
busco escutar a vida no detrás
das paredes frias
desbotadas pelo dia que fugiu
Às vezes surge um riso
frágil raio
que se oculta sob um choro
ou embaixo da música que
não decifro
Quando meus pés caminham
e levam meu corpo através das ruas
escuto sons, ruídos humanos
que norteiam meus sonhos e ambições
ainda clandestinos no meu sangue
contrabandistas em minha alma
e viajo como se desbravasse o mar
tendo as nuvens como ondas
a noite como navio
o corpo como maré airevir
no oceano dos homens,
água mãe humana
a afogar com afagos
nossas cabeças fartas de portos
fartas de vidas que nunca chegam
Quando anoitece
e meus pés caminham
entre casas e muros janelas e portas
e ruas
sei que estou próximo da vida
em comunhão com os seres
em comunhão com os corpos
em comunhão com o cosmo.
A.N.I.
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