domingo, 13 de novembro de 2016

Sob a Garoa de São Paulo no Largo do Arouche





Há que se danar de ardor
E beijar a flor
Há que sofrer de amor
Sem o menor pudor
Há que se lamentar da cor
Tinta em esplendor
Por viver assim enamorada
Chorar por ser tão feliz
E motivada pela beleza agressiva
Que essa cidade despudorada
Obriga-nos a contemplar
Sem fitar o mar
O sentimos perto
Talvez devido à brisa suave
Leve que ela repete
Na garoa e no canto presente
Do desavisado sabiá.
Que se posta no bronze “depois do banho”
Pensado ser ela um pé de qualquer coisa
Fita-me compreensivo da minha
Estupefação ante o colossal
Vai-e-vem de passos.
E ficamos nós dois
Enamorados diante da magnitude
De cidade em maresia de amor.

Eleni

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