Meus dedos
São meus medos
Arcas do segredo
Teias que me rendem
Prendem-me
A mim
Em travas que me escondem
Trevas que me calam
Sufocando-me
Apertam minha garganta
Mesmo quando sussurro
Meninos iletrados
Cegos
Não tecem
Não desenham
Não pintam
Não bordam
Não escrevem
São trêmulos e frios
Vazios
E sós na minha mão
São apenas dedos
Por isso mesmo
Retratam os meus medos.
Eleni Mariana de Menezes

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