Meu
amor primeiro partiu
Examinei
meu coração pra ver
O tamanho
da ferida.
Enorme.
Maior que eu podia considerar
Tantos
anos depois da nossa separação.
Tenros
anos aqueles. Inocência genuína.
Dormíamos,
quando ia pra sua casa
Em
quartos contíguos
Parede
de tábuas
Um
buraquinho na madeira
Dedinho
colocado ali como se fora
Aquela
passagem feita só para isso
Receber
o carinho da minha mão
Alisando-o.
Sua
irmã, minha amiga era nossa
Cúmplice.
Virava
de costas para mim sorrindo
Amadrinhando
a nossa relação
Eu
no canto da cama. Vira-me para a parede
E
ficávamos até adormecer roçando um dedo no
Outro.
Às
vezes me atrevia e abarcava aquele
Médio
com a minha mão inteira.
Quente.
Apaixonada.
Seu
pai me apresentava pra todo mundo
Como
nora sua.
Fizera
ele próprio aquele furinho para seu filho?
Jamais
saberei.
De
qualquer forma, agora dói demais aceitar.
Que
a vida tenha separado
Um
amor que poderia ter rompido
E vencido
o tempo como agora
Vence a morte.
Autora:
Eleni Mariana de Menezes.

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