quarta-feira, 21 de maio de 2014

Somente Palavras





Enxutas as palavras que dantes eram belas
Ternas e lúdicas.
Empederniram-se nas esferas recônditas das almas
E nuas desconstruíram as composições melódicas
Que os séculos sepultaram sem pudor.
Mataram os poetas. Todos foram exterminados pela frieza
Do mundo cientificista nada restou da sonoridade das letras.  
Nenhum lamento pelo esvaziamento
Dos seres sensíveis e criativos.
Chegamos à era das máquinas.
Objetivas e sintéticas e os poemas não têm mais luzes.
Ouvem-se apenas guinchos dos homens-robôs.
Nos seus discursos desumanizados.
Pudera! Não são humanos.
Desvalorizado, o homem se encolhe.
Deixando-se permanecer mero objeto
Que fica e fita passivamente
A realidade feroz que o come.
O brilho dos tons eloquentes dos apaixonados
Pela modernidade foram apagados.
E nada restou. Apenas palavras vazias.
Sem tino, desarticuladas que não tecem mais poesias.
Nem compõem rimas, não captam mais a essência
Da singeleza divina.
São tristemente, somente palavras.

Autora: Eleni Mariana de Menezes

Nenhum comentário:

Postar um comentário